"Batendo nos tigres" - movimento é TSO THÁ HU SHI

Vusun estava indo visitar seu irmão e passou por um bar e leu o aviso que tinha na porta, "Cuidado com o tigre na montanha!", ao entrar no bar havia outro aviso, "Não servimos mais que 3 doses de bebida". Vusun sentou, tomou as 3 doses e queria mais, o homem do bar não podia servir, mas ele conseguiu, e pediu mais e mais, até que tomou 18 doses e saiu do bar bebado. O homem do bar falou, não vá para a montanha sozinho, cuidado com o tigre e andando meio bebado, leu outro aviso do governo, "Cuidado com o tigre na montanha!" e foi caminhando, caminhando na direção da montanha, lá chegou e se aconchegou em uma pedra bem alta e dormiu.
Ao sentir um vento forte e um cheiro de sangue, acordou e percebeu que o tigre estava vindo, (os tigres vem com o vento e o dragão vem com as nuvens), e quando ele viu o tigre se aproximando percebeu que era um tigre enorme. Vusun era um homem muito grande, mas o tigre era maior ainda. Ele tentou bater no tigre com um bastão, mas o bastão era grande e se quebrou na árvore. E o tigre tentou 3 golpes em Vusun, pular em cima dele, mas ele escapou, daí tentou golpeá-lo de lado e ele escapou novamente. Vusun conseguiu pular no pescoço do tigre grudando em sua pele solta e socou, socou, até que ele desmaiou. Todos em sua aldeia ficaram sabendo e ele se tornou um grande homem.
 
"Serpente branca mostra a língua" - movimento é - CHUAN SHEN PAI SHE TU SHI

Houve um tempo, na montanha E-Mei onde viviam uma serpente branca e uma serpente verde. Elas usavam seus poderes mágicos para se transformar em belíssimas jovens. Um dia as duas estavam passando por uma ponte e encontraram um homem, Xu Xian, por quem a serpente branca se apaixonou e se casaram. O Monge avisou Xu Xian que sua esposa era uma serpente branca, mas ele não acreditou.
Durante uma festa, para agradar seu marido, a serpente branca bebeu vinho, o que era perigoso pois o vinho espantava os espíritos e ela por sua vez era um espírito. Grávida e com seus poderes enfraquecidos ela perdeu o controle e correu para a quarto. Xu entrou no quarto e viu uma serpente enorme branca enrolada em sua cama e caiu morto de medo. Ela viajou para conseguir ervas mágicas e restaurar a vida do seu marido e foi capaz de convencê-lo de que ele não havia visto uma serpente branca. Xu Xian estava ainda fraco e foi visitar o monge Fa Hai que o convenceu a tornar-se um monge e separar-se do espírito da serpente. As duas serpentes partiram para implorar ao monge que deixasse Xi Xian sair, mas ele não deixou. Então, a serpente branca chamou um grande exército de criaturas aquáticas para ajudá-la e houve uma enchente no templo, mas o monge fez com que a montanha crescesse e ficou acima da enchente. Enfraquecida com a gravidez ela abandonou a batalha para esperar o nascimento de seu filho. Incapaz de continuar a luta sózinha a serpente verde passou um tempo praticando para aumentar seus poderes mágicos e habilidades. Depois que seu filho nasceu, Xu Xian foi visitá-lo levando consigo um chapéu mágico oferecido pelo monge e prendeu a serpente branca no chapéu e depois o monge a aprisionou na forma de serpente em um pagode. Depois que o filho da senhora branca e de Xu Xian cresceu, a senhora verde retornou e destruiu o pagode, resgatando a senhora branca e vencendo o monge Fa Hai. Xu Xian, a senhora branca e seu filho se reuniram e todos viveram felizes para sempre.
 
"Agulha no fundo do mar" - movimento é HAI DI CHIN
 
"O macaco rei era muito forte, com habilidades muito grandes, mas não encontrou arma alguma em seu mundo suficientemente forte para ele. Todo o seu exército tinha uma arma, então, resolve ir até o mundo do dragão (no fundo do mar), para ver se lá encontrava uma arma.
O dragão pediu para seus serviçais trazerem uma barra de ferro, como um sabre e o macaco rei experimentou e achou muito leve e fraca, então, o dragão pediu que trouxesse algo muito mais pesado do que o anterior, no formato de uma foice e o macaco tb achou muito frágil a arma.
Cansado do macaco, a esposa do dragão sugeriu que mostrasse uma coluna de ferro enorme que estava espetada no fundo do mar, cheia de ferrugem e coisas grudadas. O macaco se aproximou da barra de ferro e ela se transformou em algo brilhante, reluzente, encantada. Então ele disse, se ela fosse menor seria melhor para experimentar e ela ficou menor e ele disse menor e ela diminuiu ainda mais até o ponto que ele conseguiu pegá-la, como um bastão, porém pesado. Conforme o macaco mexia com o bastão, a água do mar se movimentava. O dragão ficou admirado do seu poder, então ele disse menor, menor e ela ficou do tamanho de uma agulha, que ele guardou atrás da orelha.
Ele voltou para o seu povo e ajudou a levar o seu mestre para o oeste. Após essa missão o buda Shakamura pediu a agulha de volta e disse que ele estava com ela para conseguir a missão com o mestre. E o buda deu a agulha para o Imperador que a colocou entre os dois rios da China que sempre causavam enchentes, equilibrando assim as águas."
 
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Flor de lótus

 
 
O lótus, um símbolo universal do Oriente, é "a flor que estava presente no Inicio, o lírio glorioso das Grandes Águas....flor em que a existência se faz e desaparece".
Ela é ao mesmo tempo, yin e yang, e guarda em si o equilíbrio das Duas Forças, é solar, quando floresce ao sol, e lunar, quando emerge da escuridão das águas do caos pré-cósmico. Enquanto combinação de ar e água, simboliza espírito e matéria. Suas raízes, assentadas na escuridão do lodo, representam a indissolubilidade; sua haste, o cordão umbilical da vida, prende o homem às suas origens e é também um eixo do mundo; as folhas e flores alcançam o ar e neles desabrocham à luz do sol, simbolizando a potencialidade no botão e a expansão e a realização espirituais na flor; suas sementes, dispersas sobre as águas, são a criação.
O lótus está associado à roda como matriz solar e como a roda do sol dos ciclos da existência. Iamblicus chama-o de perfeição, uma vez que suas folhas, flores e fruto formam o círculo. Na qualidade de flor lunar e solar, yin e yang, o lótus também é o andrógino, aquele que é auto-suficiente para existir. Seu simbolismo é inexaurível, tanto no Hinduísmo, como no Taoísmo e no Budismo. O lótus é a flor Áurea do Taoísmo, a cristalização e a experiência da luz, o Tao.
Enquanto, no plano espiritual, representa plenitude do nascimento, o crescimento, o desenvolvimento e potencialidade, no plano mundano representa, o cavalheiro erudito, que está em contato com o lodo e a água suja do mundo mas não é contaminado por ela. À parte seu simbolismo quase infinito, o lótus é uma flor de grande beleza e forte poder evocativo; nas palavras de Osvald Sirén, uma pétala de flor de lótus "emana uma magia especial, uma atmosfera que intoxica como um perfumado incenso e embala como o ritmo de um mantra ascendente e descendente".

 

Trecho do livro Yin& Yang a Harmonia Taoísta dos Opostos, de J.C.Cooper.

Flor de lótus.

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Tao Te King - Texto e comentários de Richard Wilhelm - 1978
Editora Pensamento Ltda.

1º parte - II
"Assim também o Sábio:
permanece na ação sem agir,
ensina sem na dizer.
A todos os seres que o procuram 
ele não se nega
Ele cria, e ainda assim nada tem.
Age e não guarda coisa alguma.
Realizada a obra,
não se apega a ela.
E justamente por não se apegar, 
não é abandonado."

1º parte - VIII
"O maior bem é como a água. 
A virtude da água está em beneficiar todos os seres sem conflito.
Ela ocupa os lugares que o homem despreza."

1ºparte - III
"Não valorizar os objetos preciosos
faz com que o povo não furte.
Não exibir coisas que possam suscitar a cobiça
evita que o coração do povo se conturbe.

Por isso o Sábio governa da seguinte maneira:
esvazia os corações e enche os estomagos."

1º parte - XXIX
"Querer conquistar e manipular o mundo, 
sei por experiência que não dá certo.
O mundo é uma coisa espiritual,
que não se deve manipular.
Quem o manipula o destrói,
quem quiser segurá-lo, perde-o.
As coisas ora se adiantam, ora se atrasam,
ora irradiam calor, ora sopram geladas,
ora são fortes, ora delgadas, 
ora flutuam na superfície, ora despencam. 
Por isso o Sábio evita todo excesso: 
de quantidade, de número e de medida."

1º parte - XXXIII
“Quem conhece os outros é inteligente.
Quem conhece a si mesmo é sábio.
Quem vence os outros é forte.
Quem vence a si mesmo é poderoso.
Quem se faz valer tem força de vontade.
Quem é auto suficiente é rico.
Quem não perde o seu lugar é estável.
Quem mesmo na morte não perece, esse vive.”



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